Euro e real brasileiro (EUR/BRL)
A cotação de hoje, e a resposta à pergunta que mais me fazem: o real perdeu mesmo valor ao longo dos anos? Com 6.814 taxas de referência do Banco Central Europeu, de 2000 até hoje.
Referência de 10/09/2026. Não inclui spread nem comissões — numa operação real recebes menos. Ver porquê.
Porque é que esta página existe
Sou brasileiro e vivo em Portugal. Somos muitos na mesma situação, e a conversa sobre câmbio aparece sempre, mais cedo ou mais tarde.
E quando aparece, é quase sempre a mesma pergunta: o real perdeu valor ao longo dos anos, não perdeu? Normalmente dita com aquela certeza resignada de quem já decidiu a resposta.
A resposta curta é sim. A resposta longa é mais interessante, e é a razão pela qual vale a pena olhar para os números em vez de confiar na memória.
A resposta curta
O Banco Central Europeu publica taxas de referência para o EUR/BRL desde janeiro de 2000. São 6.814 observações até 28 de agosto de 2026.
| Data | 1 EUR valia | 1.000 EUR davam |
|---|---|---|
| 13 de janeiro de 2000 | 1,8718 BRL | 1.872 reais |
| 28 de agosto de 2026 | 6,0126 BRL | 6.013 reais |
Em 26 anos, o euro passou a comprar 3,21 vezes mais reais — uma subida de 221%. Visto do outro lado: em 2000, um real valia cerca de 53 cêntimos de euro; hoje vale cerca de 17 cêntimos.
Então sim, a impressão está certa. Mas a forma como lá se chegou não é a que a maioria das pessoas imagina.
A resposta longa: não foi uma linha reta
Quando se diz "o real foi perdendo valor com o passar dos anos", imagina-se uma descida constante, ano após ano. Não foi isso que aconteceu. Foram quatro fases distintas, e uma delas vai contra a narrativa.
| Fase | Período | Média inicial → final | Variação | Quem ganhou |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 2000 → 2004 | 1,68 → 3,64 | +116% | euro |
| 2 | 2004 → 2011 | 3,64 → 2,33 | −36% | real |
| 3 | 2011 → 2021 | 2,33 → 6,38 | +174% | euro |
| 4 | 2021 → 2026 | 6,38 → 5,98 | −6% | real, ligeiramente |
Médias anuais calculadas sobre todas as taxas de referência publicadas em cada ano civil.
Repara na fase 2. Durante sete anos, entre 2004 e 2011, o real ganhou força de forma consistente face ao euro. Não foi um mês bom nem um acidente: foi mais de um quarto do período total desta série.
Quem enviava euros para o Brasil nesses anos viu o seu dinheiro chegar como cada vez menos reais. Quem recebia em reais e gastava em euros nunca esteve tão bem.
Isto importa por uma razão prática: "o real só desvaloriza" não é uma regra do universo. É a descrição de um período — longo, real, mas não inevitável. Quem tomar decisões financeiras assumindo que a tendência dos últimos dez anos vai continuar está a assumir uma coisa que os próprios dados já contrariaram uma vez.
O ano que mudou a escala
Há um ano que salta da série: 2020. A média anual passou de 4,4134 em 2019 para 5,8943 em 2020 — uma subida de 33,6% num único ano, a maior de toda a série.
O máximo histórico de todo o período foi atingido pouco depois: 6,9553, em 9 de março de 2021. O mínimo histórico tinha sido 1,5630, a 11 de setembro de 2000.
Os fatores que movem uma taxa de câmbio — juros, inflação, perceção de risco, fluxos de capital — estão explicados no guia sobre taxas de câmbio. Atribuir este movimento concreto a causas específicas exigiria uma análise com fontes que não tenho, e prefiro apresentar-te os números do que uma explicação inventada.
A média anual, ano a ano
Para quem quiser ver o percurso completo em vez do resumo:
| Ano | Média | Mínimo | Máximo |
|---|---|---|---|
| 2000 | 1,6821 | 1,5630 | 2,0141 |
| 2002 | 2,7896 | 1,9934 | 3,8972 |
| 2004 | 3,6362 | 3,4408 | 3,9001 |
| 2008 | 2,6737 | 2,3893 | 3,4374 |
| 2011 | 2,3265 | 2,1812 | 2,5666 |
| 2015 | 3,7004 | 2,9057 | 4,7304 |
| 2018 | 4,3085 | 3,8571 | 4,8942 |
| 2020 | 5,8943 | 4,4870 | 6,7680 |
| 2021 | 6,3779 | 5,8635 | 6,9553 |
| 2023 | 5,4010 | 5,1860 | 5,7758 |
| 2025 | 6,3072 | 5,9526 | 6,6875 |
| 2026 | 5,9843 | 5,7449 | 6,3743 |
Anos selecionados para mostrar a forma da série. 2026 cobre apenas até 28 de agosto.
Onde estamos hoje
Nos últimos doze meses — 255 taxas publicadas, de 29 de agosto de 2025 a 28 de agosto de 2026 — o EUR/BRL:
- Variou entre 5,7449 (13 de maio de 2026) e 6,5851 (23 de dezembro de 2025).
- Teve uma amplitude de 14,6% entre o mínimo e o máximo. Para comparação, o EUR/GBP variou 4,2% no mesmo período.
- Subiu em 115 dias e desceu em 139.
- Teve como maior movimento diário 2,08%, a 8 de dezembro de 2025.
A taxa atual de 6,0126 está abaixo da média dos últimos doze meses, que foi 6,0854. Ao longo do último ano, esteve mais alta do que hoje em 151 dos 255 dias.
Os dois lados desta taxa
É a parte que mais confusão gera nas conversas, e vale a pena separar com clareza. A mesma subida do EUR/BRL tem efeitos opostos consoante a direção em que o dinheiro se move.
Se envias euros para o Brasil
Uma subida do EUR/BRL é favorável: cada euro chega como mais reais. Foi o que aconteceu, em traço largo, entre 2011 e 2021.
Com uma diferença que convém dimensionar. Nos últimos doze meses, 1.000 euros enviados no melhor dia davam 6.585 reais; no pior, 5.745. Uma diferença de 840 reais, sem qualquer comissão envolvida — só o câmbio.
Isso é, muito provavelmente, mais do que a diferença entre o serviço de transferência mais caro e o mais barato para esse montante. O que sugere uma conclusão pouco intuitiva: se o montante é grande e não é urgente, a data pode pesar mais do que a escolha do operador. Não porque se consiga adivinhar o melhor dia — não se consegue — mas porque vale a pena olhar para a taxa antes de confirmar, em vez de enviar no piloto automático.
Se recebes em reais e gastas em euros
Exatamente o contrário. Uma subida do EUR/BRL significa que precisas de mais reais para comprar os mesmos euros.
É a situação de quem mantém rendimentos no Brasil — arrendamento, trabalho remoto, pensão — e vive em Portugal. Para essas pessoas, os anos entre 2011 e 2021 foram os mais difíceis desta série inteira, e a fase 2 (2004–2011) foi a mais confortável.
Antes de converteres
Os números desta página são taxas de referência do Banco Central Europeu. Descrevem o mercado grossista e não incluem nenhum dos custos de uma operação real.
Numa transferência ou câmbio efetivo, aplicam-se spread, comissões e eventuais custos de receção. O valor que chega é sempre menor do que a conta feita com a taxa desta página.
- Pergunta ao serviço quanto chega, líquido, à conta de quem recebe.
- Divide esse valor pelo que vais entregar: obténs a taxa efetiva.
- Compara-a com a taxa desta página. A diferença é o custo real.
- Repete com outro serviço.
O guia sobre transferências internacionais desenvolve isto, incluindo por que razão o serviço mais barato muda consoante o montante.
Sobre estes dados
Todos os valores desta página vêm das taxas de referência diárias do Banco Central Europeu, obtidas através da Frankfurter API. A série usada tem 6.814 observações, entre 13 de janeiro de 2000 e 28 de agosto de 2026.
As médias, mínimos, máximos e amplitudes foram calculados sobre a série completa de cada período indicado. A cotação no topo da página é atualizada automaticamente em cada dia útil. As estatísticas históricas são revistas periodicamente — a data da última revisão está no topo.
A página de metodologia explica o processo em detalhe, incluindo arredondamentos e limitações.
Informação importante
As informações apresentadas neste site têm caráter exclusivamente informativo. As taxas de câmbio apresentadas são indicativas e podem diferir das taxas efetivamente praticadas por bancos, instituições financeiras, cartões, casas de câmbio ou outros prestadores. Este site não presta aconselhamento financeiro, cambial ou de investimento.